O ponche
Tava rolando um aniversário num salão de festas e tal, mas não conhecíamos os donos da festa e obviamente não tínhamos sido convidados. Mas conhecíamos a Bete. Bete era uma colega nossa e que estava de azaração comigo, menina super legal. E o melhor: ela estava dentro da festa. Bom, ficamos parados do outro lado da rua enquanto a Bete nos abastecia de cerveja. “Bete! Pega mais outra lá pra gente.” “Claro! Já volto.” E assim foi acho que por uma duas horas. Putz, já estávamos super loucos, mamadaços mesmo. Conversa vai, conversa vem a gente nota que estão vindo em nossa direção carregando um tacho a Bete e mais um casal de amigos dela. “Aí gurizada”, falou o cara. “Que negócio é esse aí?” perguntou um de nós. “Ah, isso aqui é um ponche de maçã. Tão afim?” “Claaaaaaro!” Fomos para um posto de gasolina e ficamos num lugarzinho menos frequentado e lá nos pusêmos a bebericar o tal do ponche. Rock, mulheres, drogas... Puxa, conversamos sobre tudo e mais um pouco, enquanto sorvíamos o ponche. Quando me dei conta só restavam no fundo do tacho alguns pedaços de maçã. Sem pestanejar, comemos todos eles. Nossa, aquilo tava que era álcool puro! Foi a cacetada que faltava para completar o entorpecimento daquela noite. Olhei pro céu e os primeiros raios de sol já apareciam. A galera de despediu, cada um foi pra um lado. Chegando em casa, fui direto para a cama. Cara, que coisa horrível. Tudo rodava muito e comecei a ter fortes engulhos, bem audíveis. Meu irmão acordou então e começou a perguntar o que estava acontecendo. “Ugh... Ughh”, só ouvia isso como resposta. De repente desesperou-se e começou a chamar os pais. Os dois entraram correndo no quarto e a essa altura eu já tinha vomitado todo o ponche, no colchão mesmo, sem me mover. Minha mãe vendo aquele vômito confundiu o que eram pedaços de maçã com comprimidos e achou que eu tivesse me emboletado com alguma coisa. “Por que tu faz isso guri?”, perguntava ela enquanto me estapeava. Enquanto isso eu dormia e roncava, dormia e roncava
Escrito por beckandroll às 01h14
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Mocó
O mocó propriamente dito
Eu tava completamente zerado no meu estoque de fumo e já eram seis horas da tarde. Já pensava que pudesse ficar sem fumar naquela noite quando avistei Gilmar, que vinha esboçando um sorrisinho no rosto, como se estivesse me dando a boa notícia antecipadamente. “E aí cara!, beleza?”, já fui falando logo que o percebi. “Cara, tô com uma massinha booooa, hehe!”, disse ele enquanto mostrava um pacotinho na mão. “Vamos pro mocó!”
O mocó tratava-se de um terreno abandonado com um prédio em ruínas. Na realidade as ruínas eram uma única parede que havia sobrado da casa, mas que servia perfeitamente para o nosso intento de fumar um beck sem sermos vistos. Ela encobria totalmente a vista de quem passasse na rua.
Mas o mocó apresentava um problema. Era extremamente difícil entrar nele sem ser percebido pois ele ficava numa avenida movimentada. Então tínhamos que ir nos esgueirando, prestando atenção nos carros e nas pessoas e quando surgisse a oportunidade precisávamos ser muito ágeis e entrar rapidamente no mocó, pulando uma cerca de arame farpado. Ao pular a cerca (ops!) corríamos todos em direção à parede que restara de uma casa e nos escondíamos atrás dela. Finalmente, estávamos em segurança. Além disso, era também um lugar aprazível, onde havia bastante vegetação e um riacho bem próximo.
Fazer a mão
Agora era hora do trabalho em equipe, cada um teria uma função. Um esmurrugava a erva e o outro fechava o baseado. Enquanto isso, se batia um papo animado, pois a expectativa de fumar um baseadinho em seguida dava um brilho diferente à noite. Prontinho. O beck tava feito, agora era só acender. Putz, nós viajávamos muito naquele mocó. De repente a galera começava a falar, falar, falar, todo mundo ao mesmo tempo e começávamos a rir um da cara do outro. A mais vaga menção a qualquer assunto mais interessante rendia complexas teorizações acerca do tema, quase chegando à resolução dos problemas do mundo. Tempo bom aquele.
A saída
Se entrar no mocó já era difícil, imagine sair dele depois de ter fumado uma bomba. Era hilário.
O colégio
Voltávamos para o colégio, quer dizer, para um bar que ficava ao lado, para tomar uma cerveja, ou outra coisa qualquer, dependia muito de como andavam as finanças da galera no dia. Aí a noite estava ganha: estávamos chapados, tomando um trago, conversando muito e olhando as gurias bonitas e faceiras que desfilavam de um lado para o outro. Tempo bom aquele.
O colégio 2
E o colégio? E as aulas? Bom, o colégio ficou pra depois.
Escrito por beckandroll às 00h41
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Programa alternativo para um sábado à noite
Inverno no Rio Grande. Chuvas, chuvas e chuvas. E frio. E ruas absolutamente cobertas de lama. Nesse cenário, alguns anos atrás roubamos uma Brasília azul (Brasília, alguém lembra desse carro?). Quer dizer, roubamos em termos. Digamos que a tomamos emprestada por uma noite. Ela pertencia a revenda de automóveis do pai de um dos caras que estava com a gente naquela noite. Putz, nos ferramos. A porra da Brasília era um caco. Totalmente detonada. Descobrimos tarde demais quando já cortávamos loucamente a cidade a bordo dela. “Ih, acabou a gasolina”, informou o motora enquanto parávamos em meio a uma rua deserta. Por sorte havia um posto bem p´roximo e lá buscamos alguns litros de gasolina. Mais alguns quilômetro rodados e paramos para fazer alguma coisa. Na volta a merda do carro não pegava de jeito nenhum. Empurramos, pegou. O motora parou para o pessoal embarcar, acho que eram uns oito caras ao todo, mas a Brasa morreu de novo. “Putz. Não dá pra parar, vamos ter que entrar nela em movimento” Merda! Era só o que faltava: tyodo mundo bêbado, ruas enlameadas e ter que arremessar nossos próprios corpos para dentro de uma Brasília azul em movimento. “Vamos lá”, alguém deu a ordem. Estávamos em frente a um colégio que ocupava toda uma quadra, e naquele ponto ficamos, enquanto a Brasília dava a volta ao redor da quadra.. A cada volta, uns dois caras conseguiam pular pra dentro do veículo. Mais uma volta, mais dois caras. Outra volta e outra. Feito! Todo mundo dentro da Brasília, subimos uma lomba extremamente íngreme com aquela banheira velha. Uhuuuuu!!!! Sensacional, que emoção! Resumindo: oito machos dentro de uma Brasília , sem ouvir rock, sem mulher e com os pés podres de lama. É, nem sempre se faz algo divertido num sábado à noite.
Escrito por beckandroll às 01h35
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"MITÓRIO"
Mais uma noite no colégio, mais uma noite em que íamos fumar unzinho num canto qualquer. Passos rápidos pela noite e olhares afiados para todos os lados. "Ali mesmo, vamos ali", ordenou alguém. Pulamos e muro, chegamos ao pátio de uma casa aparentemente abandonada. Seguimos o ritual: pega-se a erva; esmurruga-se a erva; coloca-se na seda, que naquela época, todo mundo duro, era catada na rua mesmo, numa carteira de cigarro que tivéssemos a sorte de achar. O interessante é que cada um dos guris fazia a sua parte, funcionava como uma equipe. Um esmurrugava, outro fechava etc. Pronto, o beck estava fechadinho. "Taca fogo cara", ansiosamente falava alguém. Fumamos. Piramos. "Vamos embora?" Pulamos o muro e caminhamos em direção a rua que passava defronte a casa. Dobramos a esquina e em rota de colisão vinha um velhinho, imagine, e nós todos alucinados. O velho perguntou: "O que vocês estavam fazendo no meu pátio?". "Hã", perguntei sonsamente enquanto continuava a caminhar e passava por ele. "A gente tava mijando tio", falou um espertinho. Ao que prontamente o velhote inquiriu: "Vocês tão pensando que o meu terreno é MITÓRIO???".
Escrito por beckandroll às 00h30
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"Tá aqui!!! Tá aqui!!!"

A gente tinha acabado de fumar uma vela dentro de uma parada de ônibus a algumas ruas da minha casa. Quatro caras, um violão e umas bauras. Saímos totalmente surtados da parada e pulando pela rua, enquanto eu tocava violão. Tocava e pulava. Caminhava e espiroqueva. "Vamos fumar um lá em cima?", perguntou alguém. "Claaaaaaaaaro!!!!", respondeu a gurizada em uníssono. Fomos pulando, tocando violão, correndo e espiroqueando em direção a uma escadaria muito legal que fica em frente à prefeitura. Sentamos lá no alto e começamos a fumar. Fumar e tocar violão. Fumar, tocar violão e falar, falar, falar... SCRINHCHHHHHHHHHHH. "Parado aí gurizada, mão na cabeça!!!", gritaram os policiais ainda dentro do camburão que acabava de frear. "Putz, os homi", foi a única coisa que passou pela minha cabeça enquanto eu atirava o violão longe e obedecia a ordem dos brigadianos que nos apontavam suas garruchas. "Não precisa quebrar o violão meu amigo", debochou da minha cara um dos policias que era mais salientezinho. Na confusão toda a galera conseguiu dispensar todo o bagulho num mato que tinha ribanceira abaixo, menos eu. Eu estava com uma paranga justamente no bolso do lado esquerdo, lado em que os policiais nos atracaram. Fiquei com aquela merda no bolso e rezando pra que eles não achassem. "Todo mundo ajoelhado na árvore", Cara, nessa hora pensei, pronto agora vão nos embolachar. Que nada, eram uns docinhos os brigadianos. Começaram a me revistar e de repente, um deles, que imagino tivesse a mesma idade que eu e talvez estivesse na sua primeira ronda naquela noite, colocou a mão no bolso esquerdo e puxou para fora o que tinha dentro. A reação do cara foi hilária, por ser totalmente desproporcional. "Tá aqui, tá aqui", ele gritava, urrava mesmo, como se tivesse ganho a copa do mundo e estivesse com o caneco nas mãos. Bom, nisso a porcalhada toda se alvoroçou e puxaram lá de dentro do camburão uma lanterna. Mas não era uma lanterninha qualquer, putz, era uma super lanterna que transformou em dia a penumbra em que a gente se encontrava. "Puta merda! Agora eles vão achar as outras parangas", pensei e ao terminar de pensar eles já estavam com elas na mão, novamente ostentado-as como se fossem a Jules Rimet. Bom, tava muito boa a conversa entre os maconheiros e as autoridades mas chegou a hora de ir para a delegacia. Olha como funciona a coisa no Brasil. Eu já estava certo que iria fazer o BO, pois tinham achado bagulho comigo, agora só faltava se apresentar o dono dos bagulhos que eles encontraram no chão. Um dos camaradas se solidarizou comigo e abraçou a bronca. Liberaram os outros dois camaradas. Fomos conduzidos ao camburão e lá dentro para nossa surpresa já havia mais dois "convidados". Um tinha sido preso porque tava armado com uma faca; o outro por receptação de mercadorias roubadas. E eu e o meu camarada porque estávamos fumando unzinho, ô injustiça. Nossa viagem até a delegacia foi muito agradável, fomos batendo papo com os brigadianos. Eles só faltavam se desculpar com a gente, daí eu tinha que consolá-los "A gente entende é o trabalho de vocês mesmo" Chegamos na delegacia e o plantão tava jantando. Ué, mas não era plantão? A porta tava trancada e enquanto ficamos esperando, em frente à delegacia passou todo o pessoal que estudava no colégio da gente, tava bem na hora da saída. Putz, que mico!!! O pessoal só olhava e a gente ali podre de chapado esperando o destino que o Estado nos reservava. Por fim conseguimos entrar no local para lavrar o registro. Nisso, aproxima-se um dos policiais e com o beicinho tremendo, os olhos marejados, ele diz: "Isso é pra tua própria segurança", e põe-se a me algemar no outro rapaz que havia sido preso por receptação. Cara, eu pensei que o porco ia tascar a clássica : "Vai doer mais em mim do que em ti". Mas o pior foi que eu estava do lado esquerdo do cara e a minha mão esquerda foi algemada na mão esquerda dele. Quer dizer, fiquei numa posição desconfortável pra caralho sem falar que fiquei com a mão em cima do pau do cara umas duas horas. É phoooooooooda, vida de maconheiro é phooooooooda!!! Bom, fizeram uma ocorrência, não sem antes ficarem fazendo terrorismo tipo "Ih, isso aí dá pra botar vocês por tráfico hein?" Dei o endereço falso, disse que não tinha telefone e ficou tudo por isso mesmo. Ainda bem, porque prender pessoas só por estarem fumando um beck, realmente, não faz sentido.
Escrito por beckandroll às 00h17
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