Pó

Já vai bem longe o tempo em que eu cheirava um pó. Ainda bem, porque se tivesse continuado naquela roubada, provavelmente não estaria escrevendo essas extremamente mal traçadas linhas aqui. Mas na época que eu barbarizava eu costumava sair com um camarada meu que também era muito afeito a uma branquinha. Cheiramos muito naquela noite e bebemos muito também, aliás como não poderia deixar de ser. Álcool e cocaína são o casal perfeito, realmente são duas drogas que se merecem. Então nós dois loucaços cruzávamos a cidade a bordo de um escort caidaço e nessas loucuras uma vez, comecei a passar mal, foi a vez que mais perto cheguei de uma overdose. Quase morri, mas estranhamente eu sentia um prazer absurdo como nunca havia sentido antes. Abri a janela e comecei a vomitar. Vomitei ao longo duma avenida inteira, e enquanto eu vomitava eu sentia muito prazer, quase um orgasmo. Acho que daquela vez estive frente a frente com a morte.
Escrito por beckandroll às 00h49
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Caindo de bêbado, literalmente
Meio da madrugada. Já tínhamos tomados todas e mais um pouco. Encontramos uns caras que tavam tomando um uíscão vagabundo. “Manda aí cara, bebi pouco hoje”. O troço tava ruim pra caralho, o uísque devia ser o mais baratex do mercado. Um dos caras tava tão bêbado que não conseguia articular sequer uma palavra de forma inteligível. Lá pelas tantas descobri que o cara era fã de Smashing Pumpkins, banda que eu adoro também. Putz, daí o cara ficou mais alucinado. Vinha toda hora pro meu lado cantarolando algum som dos caras que eu não consegui identificar até hoje, mas que no delírio etílico dele deveria estar soando perfeitamente. E o cara vinha e me abraçava, vinha e me abraçava e balbuciava alguns grunhidos tentando reproduzir uma música dos Pumpkins. Eu já tava pra lá de Marrakesh e meu equilíbrio àquelas alturas não era dos mais confiáveis. Finalmente, numa dessas investidas, em que o cara me abraçava e grunhia, ele conseguiu me derrubar no chão. Putz, caímos os dois abraçados, cena tocante mesmo, estatelados de corpo inteiro no chão. Fudi meu cotovelo. Mas nem percebi na hora. Só no outro dia quando acordei e senti uma dor horrível no braço e fui olhar: um rombo no meu cotovelo. Caralho!!!!!!! Pelo menos serviu pra alguma coisa. Serviu para comprovar as propriedades analgésicas do álcool.
Escrito por beckandroll às 00h45
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Noite bêbada
Verão. Alta madrugada e o calor ainda era infernal. Suor. A cabeça da gurizada girando, girando, de tanto mé. Luzinhas piscando. As janelas das casas ocultando quais mistérios? Imaginem. Algo de inconfessável poderia estar acontecendo atrás daquelas fachadas bem no momento em que passávamos por ali. Bêbados. Totalmente bêbados. Ao ponto de ver luzinhas piscando no chão e imaginar segredos indizíveis.
Escrito por beckandroll às 00h13
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Cigarro

Eu tinha 13 ou 14 anos quando comprei minha primeira carteira de cigarro. Eu sempre tive vontade de fumar desde pequeno e já falava pra todo mundo lá em casa. Então quando fiquei maior e um pouco mais espertinho eu roubava uns cigarrinhos de quem deixasse uma carteira dando sopa, podia ser de um vizinho, de uma tia. Bom, eu tinha que me virar, porque afinal não podia chegar pra minha mãe e falar “Me arruma um dinheiro pro cigarro?” Mas acontece que vez que outra rolava uma graninha que o meu pai me dava e tal, pra comprar figurinhas ou um lanche no colégio, então numa dessas vezes eu comprei minha primeira carteira de cigarro. Já era muito inclinado a fumar mas o impulso que faltava viera na noite anterior, em forma de um comercial de uma nova marca de cigarro, “Lark”. Putz, o comercial era sensacional, sensibilizava mesmo, eles devem ter vendido muito cigarro, porque eles fizeram uma adaptação de uma música da Janis Joplin (Me and Bob Mcgee),
relacionando o que ela cantava ao nome do cigarro, la lala lalala lala Lark. Eu não sabia nem abrir o maço, rasguei toda a embalagem, mas depois aprendi. É um vício inútil “nem barato dá”, me dizem alguns, mas quem é fumante e gosta de cigarro sabe que ele dá barato sim, e como dá...
Um abraço pro Alexandre, que conhece muito a História do rock, e socorreu informando o nome da música da Janis Joplin.
Escrito por beckandroll às 00h12
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