Três marmanjos num guarda-roupa
Tarde modorrenta de verão. Eu e mais dois amigos, entediados e sem nada pra fazer. "Vamos na casa do Mão-Leve", sugeriu alguém. Tocamos para a casa do rapazinho. Quem sabe ele não tinha uma bituca pra gente fumar. O cara era super problemático, sempre envolvido em altos rolos, desde roubos de galinha até furtos à locadoras, e a mãe dele era super invocada com essas encrencas que o filhinho dela vivia arrumando. Por isso mesmo ela não concordava com qualquer espécie de "juntamento" de gurizada na casa dela, até já havia providenciado uma peça nos fundos da casa para isolar o pequeno marginal. Bom, até aí tudo bem, é um direito dela querer selecionar a frequência de sua casa.
Chegamos lá no cara e entramos direto na peça que ele estava morando. "E aí rapá, que temos de bom pra fazer?", fui perguntando. "Putz galera, pior que nada, mas a gente pode dar uma banda e conseguir alguma coisa", falou eele enquanto cortava a unha do dedão. Nesse exato momento ouvimos uma mulher chamando: "Meu filho? Já lavou tuas meias? Se lavou vem comer!". Puuuuutz, era a mãe do cara e se ela nos visse por ali ia dar o maior barraco. O Mão-Leve tava tremendo que nem bambu verde e não sabia o que fazer com a gente. "Entrem no guarda-roupa!", ordenou instintivamente. "Caralho", pensei. "Três barbados ter que se enconder dentro de um gurda roupa por causa de um cueca era só o que me faltava!". Entre encarar a fera da mãe dele e entrar no guarda-roupa com meus dois amiugos, preferi a segunda opção. Mal fechamos a porta do móvela velha entrou no quarto do cara: "Guri, vai lavar tuas meias!, berrou. Nota-se que ela era obcecada por limpeza de meias. "Já vou mãe", respondeu aflito o guri. E nós três lá dentro do guarda-roupa, que a essa altura, enquanto um dos meus amigos acendia um cigarro, começava a ceder o piso e fazer barulho. "Gurizada, pode sair que ela já foi!, disse o cara. "Vamos lá galera!" Bom, saímos os três e quando estávamos chegando no portão da frente a velha surge na porta da cozinha, faz uma cara como se estivesse vendo o diabo e começa a gritar "Seus vagabundos, o que vocês tão fazendo no meu pátio???", e põe-se a correr atrás de nós. Tivemos que dar meia volta e pular o muro dos fundos da casa. Eu tive a maior dificuldade de pular o tal muro e imaginei que a velha não conseguiria. Ledo engano. A velha parecia uma ginasta, pulou o muro com a facilidade de um atleta e continuou sua louca perseguição aos brados de "vagabundos, vagabundos". Conseguimos chegar a outra rua, na qual havia um valo, e nos escondemos na ribanceira. Esperávamos estar seguros da fúria daquela mulher ali naquele local, quando de repente, como um seria killer do cinema ela nos surpreende pelas costas indagando: "Qual é teu nome guri?, perguntou enquanto segurava um torrão de terra nas mãos. "Não te interessa", respondi bem mal educado. A velhota ficou puta e arremessou o torrão de terra contra nós, ao mesmo tempo que clamava para uns operários que trbalhavam em uma obra nas proximidades "Traz a enxada, traz a enxada", então antes que fossemos linchados por uma turba ensandecida de operários da construção civil, nos mandamos correndo o mais rápido possível em direção a um parque.
E ficamos lá até anoitecer, hehehehe.
Escrito por beckandroll às 20h13
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