Beckandroll


Conversa com mendigos

Eu trabalhava naquela época,num lugar maldito que me inspirava os sentimentos mais horríveis. Putz, trabalhava o dia inteirinho fazendo coisas que não gostava e achava aquilo tudo muito maçante. Mas nem tudo estava perdido para mim naquela noite especial que irei relatar. Saí do trabalho como sempre fazia e logo no que eu ia atravessar a rua avisto uns mendigos e uns flanelinhas que estavam sob a marquise do restaurante Boni. Rumei impassível até eles "E aí gurizada? Vamos queimar um beck!" Os caras ficaram tri faceiros  pois apesar de não terem nenhuma maconha, eles sacaram na hora, pelo entonação da minha voz que eu ia botar uma baura caprichada. Peguei o fumo no bolso da calça e fechei um monstruoso, eu tava afim de fumar uma vela mesmo e além do mais havia mais três caras loucos pra fumar "às ganha" como se diz por aí.

A vela foi devidamente carburada e o papo seguia animado enquanto os passantes iam e vinham. Lá pelas tantas chegou mais um cara,  menorzinho que os outros, porém não o mais novo, começou a dizer que não curtia fumar baseado que só gostava mesmo era de fumar pedra. Fiquei um tanto espantado e preocupado com o rapaz, mas o que se há de fazer? Nisto notei que enquanto ele fumava, ao invés de jogar as cinzas do cigarro no chão, ele as guardava numa caixinha de fósforo e solicitava aos outros camaradas que fizessem o mesmo com seus cigarros em sua caixinha.

Perguntei porque ele fazia isto, ele respondeu que era pra fumar pedra, pois normalmente fuma-se crack em latinhas de cerveja, quando não se tem um cachimbinho apropriado. O procedimento é o seguinte: deita-se a latinha e faz-se alguns pequenos furos bem no centro dela. Ali então coloca-se a pedra de crack juntamente com cinzas de cigarro para, segundo ele, não derreter a lata e queimar a pedra melhor.

E entre isso tudo a viagem da galera continuava, aquele bagulho era realmente um achado, pois naquele tempo a maconha de boa qualidade era raríssima, e bagulhos como aquele davam gosto. Então, ainda surpreso com os relatos do pequeno rapaz começamos a viajar no fato de que ele poderia usar uma desculpa esfarrapada e gozadíssima na qual ele poderia afirmar a quem o questionasse a respeito de seu estranho hábito de recolher cinza de cigarro, que fazia isto para preservar a natureza. "Sim! Eu guardo as cinzas na minha caixinha para evitar que sujem as ruas! Tô fazendo a minha parte, doutor!" E caímos em mais uma gargalhada estridente que reverberava até o último andar do edifício do qual estávamos sob a marquise.


Marca-texto: "Pedro Balão tem de voltar a estudar, não vai mais poder se drogar" - Cachorro Grande, no som "Pedro Balão"


NÃO FUME CRACK, FUME MACONHA



Escrito por beckandroll às 22h37
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